12 ATRIZES ESQUECIDAS DO CINEMA MUDO

Quando falamos sobre atrizes da fase silenciosa do cinema, nos lembramos automaticamente de Garbo, Swanson, Gish, Pickford, Brooks, Bow, entre outras atrizes fantásticas e inesquecíveis. Mas haviam outras atrizes, tão belas, maravilhosas ou talentosas quanto essas citadas acima. Houve uma época que essas atrizes faziam um tremendo sucesso e faziam as pessoas irem ao cinema para verem suas performances. Infelizmente com o tempo foram esquecidas de uma forma ou de outra. Algumas tiveram uma boa parte de seus filmes perdidos, outras não se adaptaram ao sistema sonoro do cinema ou simplesmente foram deixadas para trás com o tempo. Esse post tem como objetivo, resgatar alguns desses nomes esquecidos totalmente ou parcialmente.

Musidora
Musidora ao lado de Theda Bara, foi considerada uma das primeiras "vamps" do cinema mudo. Estrelou em 1915 o clássico francês "Les Vampires" que lhe imortalizou. Além de atriz, era também diretora, escritora e roteirista. O termo "vamp" era designado para denominar mulheres sexualmente ativas e predadoras. Esse termo surgiu com "Les Vampires", onde Musidora interpreta uma personagem chamada Irma Vep. Seu nome de batismo era Jeanne Roques e Musidora significa "presente das musas" em grego. Dirigiu entre a década de 10 e 20, 10 filmes, aos quais apenas dois sobreviveram.

Betty Blythe
Foi uma das primeiras atrizes do cinema mudo a aparecer nua na tela. Estrelou "Queen of Sheeba" de 1921, filme que inicialmente seria um veículo para Theda Bara, que recusou o papel. Com a recusa de Bara, o nome de Blythe foi sugerido e o filme foi um grande sucesso. De acordo com registros da época, no filme Blythe aparece com os seios de fora e em trajes transparentes e provocantes. Em 1937, um incêndio destruiu o filme e ele é considerado perdido hoje em dia. Ao todo estrelou cerca de 63 filmes mudos (alguns perdidos hoje em dia) e 56 sonoros.

Mary Duncan
Começou sua carreira ainda criança, na década de 10, na Broadway. Após seu desempenho na peça "The Shangai Gesture" de 1926, Mary foi convidada para o cinema. No ano seguinte, faria sua estreia nas telas em "Very Confidential". A partir de então, Mary teria uma curta carreira no cinema, mas teve a chance de trabalhar com diretores como Murnau e Frank Borzage. Seu último filme foi "Manhã de Glória" (Morning Glory) de 1933.

Fern Andra
Nascida Vernal Edna Andrews, Fern Andra foi um nome importante no cinema alemão. Nascida nos EUA, Fern Andra tinha um pai circense e desde pequena se apresentava nos circos. Em 1913, aos 19 anos e já em Berlim, fez seu primeiro filme alemão. Em 1920, ela estrelou o filme que a deixaria eternizada no cinema: "Genuine" de Robert Wiene, que dirigiria futuramente o também expressionista "O Gabinete do Dr. Caligari". Porém o sucesso de "Caligari" acabou ofuscando "Genuine", que ficou anos no esquecimento. Ainda em Berlim, chegou a produzir e dirigir alguns filmes. Andra foi um dos principais nomes do cinema alemão na década de 10. Chegou a participar de filmes britânicos e franceses e após aparecer em dois filmes sonoros americanos, decidiu se afastar do cinema.

Alla Nazimova
Já falei sobre Nazimova aqui no blog, mas é sempre bom revisitá-la. Seu interesse por atuação surgiu na adolescência. Após tomar aulas de atuação na Academia de Teatro de Moscou, Nazimova teve uma rápida ascensão no teatro e rapidamente se tornou uma das maiores estrelas dos teatros de Moscou. Ao se mudar para Nova York, fundou um teatro em linguagem russa, que fracassou. Após negociar um contrato com a Metro Pictures (que futuramente se tornaria a MGM), começou a escrever e a produzir seus próprios filmes. Desenvolveu também um estilo de atuação, considerado ousado e escandaloso para a época. A androginia era característica sempre presente em seus filmes. Após uma sequência de fracassos, Nazimova se retirou do cinema e retornou para os palcos. Voltaria a fazer filmes apenas na década de 40 e geralmente papéis pequenos.

Geraldine Farrar
Além de atriz, Geraldine era também uma famosa cantora lírica, sendo uma das maiores celebridades do início do século XX. Seu primeiro filme foi "Carmen" de 1915, adaptação da famosa novela de Prosper Mérimée. O filme dirigido por Cecil B. DeMille, fez um enorme sucesso e no mesmo período foi feita uma nova adaptação da novela de Mérimee, com Theda Bara, adaptação que hoje se encontra perdida. Em 1916, Geraldine voltaria a trabalhar com DeMille, desta vez interpretando Joana D'Arc. Farrar se aposentou do cinema em 1920 e das óperas em 1922.

Asta Nielsen
Asta era uma atriz dinamarquesa. Fez ao todo 74 filmes, sendo 70 deles na Alemanha. Na própria Alemanha era conhecida como "Die Asta" (algo como "A Asta"). Sua principal característica era a maquiagem em torno dos olhos. Fazia na maioria das vezes, papéis de mulheres com carga emocional pesada e com um certo teor de erotismo, por causa disso, seus filmes muitas vezes nem chegavam a ser exibidos nos EUA. Fundou seu próprio estúdio de cinema em Berlim, na década de 20. Produziu uma adaptação moderna de "Hamlet", onde interpretava Hamlet que era uma mulher que se disfarçava de homem. Nielsen fez apenas um filme sonoro em 1932 e após isso decidiu deixar o cinema, ficando apenas no teatro. Com a chegada do Nazismo à Alemanha, Nielsen se viu obrigada a retornar à Dinamarca, após recusar o convite de Hitler para um possível retorno ao cinema. De volta à Dinamarca, Nielsen escreveu artigos sobre política e arte, além de uma autobiografia, dividida em dois volumes.

Norma Talmadge 
Era um dos maiores nomes do cinema mudo na década de 20 e foi uma das atrizes que viram sua carreira desmoronar, com a chegada dos filmes sonoros. Era irmã das também atrizes Natalie e Constance Talmadge, as três possuíam grande popularidade durante a década de 20. Norma era uma atriz especializada em melodramas e fez uma parceria com Frank Borzage em dois filmes: "Secrets" (1924) e "The Lady" (1925). Talmadge era considerada uma das atrizes mais glamourosas e elegantes dos anos 20. Casou-se com Joseph Schenck e criaram com sucesso sua própria empresa de produção de filmes, a Norma Talmadge Film Corporation. No fim da década de 20, sua carreira começou a sofrer um leve declínio. Com a chegada do cinema sonoro, Talmadge fez dois filmes que fracassaram nas bilheterias e crítica e após isso resolveu se aposentar.

Nita Naldi
Junto com Theda Bara e Musidora, foi uma das primeiras vamps do cinema. Nasceu em Nova York e seu nome de batismo era Mary Dooley. Após a morte da mãe e o abandono do pai, Naldi se tornou responsável pelos irmãos mais novos e pelo sustento da família. Foi se apresentando no Ziegfeld Follies, entre 1918 e 1919, que surgiu seu nome artístico, que era uma homenagem a um amigo de infância que se chamava Florence Rinaldi. Seu primeiro papel de destaque, foi na adaptação de "O Médico e o Monstro" (Dr. Jekyll and Mr., Hyde) de 1920, que tinha John Barrymore no papel principal. Naldi fez também "Sangue e Areia" (Blood and Sand) ao lado de Rudolph Valentino, filme que lhe traria a alcunha de "vamp", alcunha essa que a perseguiria dali pra frente. A dupla faria ainda mais três filmes juntos. Com a chegada dos filmes sonoros, Naldi mesmo tendo uma voz aceitável, optou por se aposentar das telas.

Barbara La Marr
Seu nome de nascimento era Reatha Dale Watson. Antes de ser atriz, Barbara era uma roteirista, chegando a escrever para a United Artists e Fox. Após aparecer em pequenas produções, Barbara foi escalada por Douglas Fairbanks, para o filme "The Nut" e logo em seguida fez o papel de Milady de Winter em "Os Três Mosqueteiros" (The Three Musketeers) de 1921. Graças aos papéis nesses filmes, La Marr foi considerada uma "vamp". Nos anos seguintes, La Marr atuou em diversos filmes e conquistou a alcunha de "A garota mais bonita do mundo". Além da fama, La Marr possuía uma vida turbulenta, repleta de drogas e álcool. Tais exageros abalaram tanto sua saúde, quanto sua carreira. La Marr faleceu em 1926, aos 29 anos de idade de tuberculose e nefrite.

Edna Purviance
Fãs de Chaplin conhecem e sabem da importância de Edna, tanto na carreira de Chaplin, quanto para o cinema em geral. Edna foi uma das maiores colaboradoras de Chaplin, no período silencioso, além de ter sido um dos grandes amores do gênio. Mas nem todo mundo sabe disso. Edna conheceu Chaplin, enquanto trabalhava como secretária. Chaplin procurava uma atriz, para um filme seu e um de seus associados avistou Edna e lhe ofereceu a oportunidade. Após uma reunião com Chaplin, Edna ganhou o papel, mesmo com Chaplin inseguro a respeito de Edna não servir pra ser uma atriz cômica. No final a parceria deu tão certo, que fizeram mais de 30 filmes juntos. Se aposentou após estrelar "A Woman of Paris", seu primeiro papel dramático e principal.

Corinne Griffith
Corinne foi considerada uma das mulheres mais lindas na era silenciosa do cinema. Além de atriz, era produtora e autora. Chegou a ser nomeada na categoria de melhor atriz pelo seu desempenho no filme "The Divine Lady". Corinne foi uma das vítimas do cinema sonoro. Seu primeiro filme sonoro não foi bem recebido, assim como sua voz. Após se aposentar, Griffith se tornou uma autora de sucesso, publicando onze livros, além de ser uma empreendedora de imóveis. Chegou a fazer um filme na década de 60, que não foi bem recebido e distribuído (Paradise Alley).

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