GARBO FALA EM ANNA CHRISTIE

No final da década de 20, boa parte dos estúdios começaram a investir na tecnologia sonora, após o sucesso do filme "O Cantor de Jazz" (The Jazz Singer) de 1927. Quando "O Cantor de Jazz" foi lançado, muitos apostaram num grande fracasso pelo fato do filme não ser mudo, mas o oposto ocorreu: o filme fez um grande sucesso e as pessoas queriam ouvir as vozes dos seus astros e estrelas favoritos. Entre 1927 e 1930, boa parte dos estúdios passaram a se adaptar a nova tecnologia que permitia captar sons e diálogos e naturalmente boa parte dos atores e atrizes passaram a estrelar filmes falados. Mas nem todos foram bem sucedidos. Alguns astros e estrelas possuíam um forte sotaque, outros não tinham uma voz considerada "atraente" e muitos simplesmente não conseguiram se adaptar ao novo estilo de filmagem. Com a chegada do cinema falado, muitas carreiras se findaram e tanto os estúdios, quanto os astros e estrelas, entraram em pânico.
No fim de 1929, a MGM até então, já havia colocado boa parte de seu elenco de ouro, em produções faladas, mas faltava a maior de todas as estrelas: Greta Garbo. Um dos maiores temores de Louis B. Mayer era justamente o forte sotaque que Garbo possuía. Garbo já havia se familiarizado com o idioma até então, porém o sotaque sueco a perseguia. Seu último filme mudo seria "O Beijo" (The Kiss) de 1929. Em 1930 já começariam os planos de produzir o primeiro filme falado da estrela sueca. Mesmo temeroso com o forte sotaque, Louis B. Mayer investiu pesado na produção do filme. Um slogan foi criado para anunciar a novidade aos fãs da estrela: "Garbo Fala!". Slogan semelhante seria criado para divulgar a primeira comédia de Garbo em 1939, "Ninotchka", o slogan em questão seria "Garbo Ri!".
Muitos acharam que esse seria o fim de Garbo. Até a própria não se sentia segura e já fazia planos para voltar para a Suécia, caso sua carreira nos filmes falados não vingasse. Irving Thalberg, o então cabeça de frente da MGM, homem de confiança de Mayer,  queria que Garbo interpretasse Joana D'Arc, porém não conseguiu os direitos de filmagem. Foi então que surgiu "Anna Christie", peça escrita por Eugene O'Neil. Com os direitos da peça em sua posse, Thalberg começou a produzir o filme. O filme foi fielmente adaptado. Para quem não sabe, a peça de O'Neil já havia sido adaptada anteriormente para o cinema. Em 1923, foi produzida uma versão cinematográfica da peça, com Blanche Sweet no papel de Anna.
O filme conta a história de Anna Christie, que acabou aderindo à prostituição, para sobreviver. Cansada da vida de prostituta, ela decide voltar a morar com o pai em seu barco. Durante uma tempestade, Anna  e seu pai, salvam três marinheiros. Um desses marinheiros é Matt, por quem Anna acaba se apaixonando. O conflito de Anna começa, quando ela se sente pressionada a contar ao pai e ao amado que foi no passado uma prostituta.
Além de Garbo no elenco, temos Marie Dressler, uma veterana da MGM, que enfrentava um certo declínio. Dressler foi escalada justamente para fidelizar o público e para segurar o filme, caso Garbo viesse a fracassar, mas isso não aconteceu. Após exatos dezesseis minutos, onde até então Dressler e George F. Marion (que interpretou o pai de Anna na Broadway e na primeira adaptação pra o cinema) estavam presentes, Garbo aparece e finalmente fala. Levando o público ao delírio.
O filme foi dirigido por Clarence Brown, diretor com quem Garbo trabalhou bastante. Um dos poucos diretores além de George Cukor, que a estrela confiava plenamente. Brown já havia dirigido Garbo na era silenciosa e um dos maiores êxitos da dupla seria o filme "A Carne e o Diabo" (Flesh and the Devil) de 1926, o primeiro trabalho da dupla. Após "Anna Christie", Clarence dirigiria Garbo em mais quatro filmes. Ao todo trabalharam juntos em sete filmes. Esse seria o segundo filme falado de Brown. 
As pessoas lotaram os cinemas, para ver Garbo falando. O sucesso do filme foi arrebatador, fazendo com que a MGM produzisse uma versão alemã do filme, novamente com Garbo no papel título. O intuito da regravação, era conquistar o mercado estrangeiro. Garbo teve que aprender alemão e o filme foi rodado em apenas vinte dias. Ambas as versões renderam mais de 1 milhão e meio de dólares para a MGM, além de três indicações ao Oscar nas categorias de "Melhor Atriz", "Melhor Diretor" e "Melhor Cinematografia".

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GARBO FALA EM ANNA CHRISTIE GARBO FALA EM ANNA CHRISTIE Reviewed by Rodrigo Veninno on 08:57 Rating: 5

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