GRACE KELLY - O CONTO (NADA) DE FADAS DA PRINCESA DE MÔNACO

Grace Kelly foi um dos grandes nomes da era clássica de Hollywood, além de ter sido uma das mulheres mais lindas e desejadas de sua época. No cinema, em sua curta trajetória, trabalhou com diretores como John Ford, Fred Zinneman, Charles Walters, Charles Vidor, entre outros, mas foi com Hitchcock que Grace firmaria seu nome na história do cinema: ao todo fizeram três filmes. Grace chegou a ganhar um Oscar (bastante controverso até hoje), pelo seu desempenho em "Amar é Sofrer" (The Country Girl), porém Grace largou seu status de estrela de cinema, para se tornar uma princesa. Ao se casar com o príncipe Rainier III, muitos pensaram que Grace Kelly viveria a partir daquele momento um conto de fadas, mas não foi exatamente assim dali pra frente.
Grace e o príncipe Rainier se conheceram durante uma sessão de fotos em Cannes, em maio de 1955, depois Grace foi convidada para um jantar promovido pelo príncipe em sua casa real. No jantar Grace impressionou a todos os presentes com sua elegância e sofisticação. Após esses encontros, os dois passaram a trocar correspondências e telefonemas. Grace escondeu de todos os amigos e de sua família, o interesse de Rainier por ela, pois tinha medo da imprensa criar notas sensacionalistas em cima da história.
Em dezembro de 1955, Rainier embarcou nos Estados Unidos e a imprensa especulava que sua viagem tinha a ver com o fato dele precisar urgentemente se casar e ter herdeiros para o trono, assim mantendo a independência de Mônaco da França. Os repórteres perguntaram diretamente se ele estava em busca de uma esposa e receberam uma negativa do príncipe, porém Rainier acabou pedindo Grace em noivado e Grace aceitou o pedido.
Pessoas próximas de Grace, se espantaram com o súbito pedido de casamento e muitos acharam que no fundo Grace havia fechado um negócio. Grace foi submetida a exames para constatar se ela seria apta a conceber herdeiros. Anos antes, Rainier viveu um romance com Gisèle Pascal. Rainier queria se casar com Gisèle, porém o casamento não se concretizou, pois Gisèle não passou no exame de fertilidade. Rainier pensou seriamente em abdicar o trono para se casar com Gisèle, mas não haviam sucessores. Rainier então decidiu terminar o romance com a atriz. Ironicamente Gisèle se casou anos depois e teve uma filha.
Durante o noivado, Grace estava filmando "Alta Sociedade" (High Society), uma versão musical de "Núpcias de Escândalo" (The Philadelphia Story). Esse seria seu último filme comercial. Durante a produção do filme, em entrevistas, Grace deixava sempre em aberto se ela abandonaria ou não sua carreira de atriz. A MGM já estava com planos para um próximo filme "Teu Nome é Mulher" (Designing Woman), filme que acabou sendo estrelado por Lauren Bacall, substituindo Grace. Grace ainda tinha um contrato vigente com a MGM, que fazia questão de deixar claro que ela deveria cumpri-lo, caso contrário seria processada. No final, a MGM negociou com Grace os direitos de filmagem de seu casamento, prometendo não processá-la, caso ela não quisesse fazer mais filmes. "Alta Sociedade" foi um dos grandes sucessos de bilheteria de 1956.
Após diversos preparativos, o casamento ocorreu em 19 de abril de 1956 na Catedral de São Nicolau, em Mônaco. O vestido de Grace, foi desenhado por Helen Rose, figurinista da MGM. O estúdio cedeu a estilista para Grace como um "presente de casamento". O casamento civil ocorreu um dia antes. Após a cerimônia de casamento, o casal partiu para um cruzeiro pela costa da Espanha e França. Foi a partir desse momento que todos pensaram que Grace viveria dali pra frente um conto de fadas.
Para se tornar princesa de Mônaco, Grace teve que abdicar de várias coisas: uma delas foi a sua carreira de atriz, além disso Grace haveria de ter uma postura discreta e manter-se longe de escândalos, já que enquanto era atriz, Grace tinha fama de sempre se envolver amorosamente com boa parte dos atores com quem contracenava, mas o maior desafio para Grace, foi ter a aprovação dos monegascos. O casamento real trouxe um novo gás econômico para Mônaco, fazendo com que várias pessoas visitassem o microestado, mesmo assim os monegascos demoraram a aprovar Grace como princesa. Ela era estigmatizada por ter sido uma atriz de Hollywood e por ter vindo de fora. Gisèle Pascal tinha total aprovação dos monegascos.
Segundo amigos de Grace, ela confidenciava que os primeiros dois anos do casamento foram os mais difíceis e que ela na maioria das vezes ficava só e não tinha nenhum familiar por perto. Grace não tinha um bom relacionamento com seu pai, que vivia para criticá-la. Muitos achavam que com Grace se tornando princesa, o relacionamento poderia melhorar, mas seu pai mesmo assim continuava a desprezá-la. 
Grace chegou a receber propostas para voltar a atuar: chegou a ser chamada para interpretar a Virgem Maria, proposta que a própria recusou e ainda disse em tom de brincadeira que se fosse chamada para interpretar Maria Madalena, ela poderia até aceitar, mas ninguém teria coragem de convidar uma princesa para desempenhar o papel de uma prostituta. Em 1960, Grace novamente recebeu um convite para interpretar a Virgem Maria, no épico "O Rei dos Reis" (King of Kings), dessa vez ela se consultou com Rainier, que pensando no povo de Mônaco, decidiu não deixar sua mulher participar do filme. Rainier tinha medo que seus súditos pensassem que Grace estaria retornando para Hollywood e deixando-os.
Em 1962, Grace recebeu um convite que parecia irrecusável: Hitchcock a convidou para estrelar "Marnie, Confissões de uma Ladra" (Marnie). Grace se empolgou com o papel e consultou Rainier que a princípio se mostrou empolgado, mas impôs algumas exigências: as filmagens deveriam ocorrer no período de férias da família real e não deveriam interferir nos compromissos reais de Grace. Hitchcock ficou surpreso com o consentimento do príncipe, porém os súditos se opuseram. Outro fator que causou confusão foi a MGM que exigia que Grace cumprisse então o restante de seu contrato. Devido a tantas objeções, Grace decidiu não fazer o filme.
Durante o casamento, após uma série de abortos espontâneos, Grace e Rainier tiveram três filhos: Caroline, Albert e Stephanie. Em 1969, Grace chegou aos 40 anos e viveu uma de suas várias crises: além da crise de idade, Grace teve uma crise de identidade: Grace não se sentia realizada com seus deveres de princesa, se entediava e sentia saudades dos amigos e da família. Durante a década de 70, Grace teve problemas com Caroline, que se rebelou contra a mãe e contra os protocolos reais e passou a estampar diversas manchetes de jornais. 
Um hobby que Grace adquiriu durante os anos 70 foi o de colecionar flores. Logo após Grace aprendeu a arte dos desenhos de flores prensadas. Em 1977 ela decidiu exibir publicamente seus trabalhos. Em 1978, Grace chegou a desenhar uma linha de lençóis de cama, Em 1979, Grace produziu um filme que tinha como tema o concurso anual de arranjos florais em Mônaco. O filme chamado "Rearranged" marca a última aparição de Grace em um filme. Em 1980, um livro com suas colagens foi publicado. Grace chegou a criar uma fundação de caridade chamada "Fundação Princesa Grace". Foi durante esse período, que Grace finalmente recebeu o respeito dos seus súditos. 
Grace também se dedicou a leituras públicas de poesias, tal atividade deixava Rainier bastante contrariado. Entre 1976 e 1981, Grace leu poesia por toda Europa e Estados Unidos, seu intuito era de se afastar de Mônaco e fugir de seus problemas, mas seus problemas sempre a acompanhariam para onde ela fosse. Rainier não queria Grace longe de Mônaco, mas Grace o ignorava completamente. Rainier então passou a desprezar as atividades de sua esposa. Ao perceber que as leituras de Grace se tornaram um grande sucesso e que isso poderia lhe trazer resultados diplomáticos, Rainier compareceu a uma das leituras de sua esposa.
Já no início dos anos 80, começaram a circular boatos de que Rainier estava sendo infiel. Grace sabia dos casos do marido. Depois de lidar com a rebeldia de Caroline, Grace agora lidava com a rebeldia de Stephanie. Grace enfrentava também problemas com bebidas, que haviam começado na década de 70. Em 13 de setembro de 1982, enquanto voltava para Mônaco de carro com sua filha Stephanie, Grace sofreu um derrame cerebral. No volante, Grace perdeu o controle do carro que se acidentou nas rochas. Grace sofreu diversos ferimentos, enquanto Stephanie sofreu leves machucados. Com lesões no cérebro e no tórax, Grace acabou falecendo na noite seguinte, no dia 14 de setembro, aos 52 anos e assim de forma trágica, seu suposto conto de fadas chegou ao fim.
P.S. Algumas informações desse texto foram retiradas do livro "Grace Kelly - As Vidas Secretas da Princesa" de James Spada (leitura que recomendo muito, por sinal).
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