LANA TURNER NAS PÁGINAS POLICIAIS

Lana Turner foi uma atriz bastante popular do seu tempo, além de ser considerada um dos maiores símbolos sexuais de Hollywood. Quem pensa que Lana Turner no dia a dia, era uma mulher sexy e segura, se engana bastante. Chegou a declarar diversas vezes que no fundo se sentia como uma menina sonhadora em busca do príncipe encantado. Sua busca pelo homem perfeito, lhe causou diversos casamentos e divórcios, além de um escândalo que a fez parar nas páginas policiais e quase arruinar sua carreira em Hollywood.
Seu nome de batismo era Julia Jean Mildred Frances Turner, nascida em 8 de fevereiro de 1921. Sua descoberta foi um tanto inusitada: foi notada ao estar em uma lanchonete tomando refrigerante, por um agente. Assinou um contrato e se transformou na "Garota do Suéter" e se tornou um dos maiores símbolos sexuais das décadas de 40 e 50. No início da década de 40, estrelou alguns filmes noir, além de musicais e filmes de terror, mas foi em 1946 com "O Destino Bate à Sua Porta" (The Postman Always Rings Twice) que Lana Turner mostrou realmente ao que veio, passando a ser desejada por diversos homens, por causa do seu papel no filme.
Mas Lana, estava disposta a provar que não queria para si a alcunha de uma mulher fatal. Lana queria se tornar uma atriz séria e respeitada. Outro ponto alto de sua carreira foi o filme "Assim Estava Escrito" (The Bad and the Beautiful), sob direção de Vincente Minnelli. Mesmo com um ótimo desempenho, Lana foi totalmente ignorada pela Academia. Após "Assim Estava Escrito", Lana entrou em uma sequência de papéis fracos, que pouco podiam mostrar sua versatilidade e talento, chegando até a reincidir seu contrato com a MGM.
Em 1957, Lana Turner foi contratada pela Fox, para filmar "A Caldeira do Diabo" (Peyton Place), filme que se tornaria um de seus maiores sucessos, lhe rendendo a sua única indicação ao Oscar. Durante as gravações desse filme, Lana passava por um complicado dilema: estava se divorciando de seu quarto marido (ela ainda se casaria mais 3 vezes) Lex Barker, que era acusado de estuprar a filha de Lana, Cheryl, durante todo o período do casamento. Durante toda sua vida, de uma forma ou de outra, Lana viveu diversos relacionamentos abusivos, seja com maridos ou com namorados. Chegou uma vez a ser agredida por Fernando Lamas, mas o pior ainda estava por vir para Lana Turner e sua filha Cheryl.
Em 1957, durante as gravações de um filme, Lana passou a receber flores e ligações de Johnny Stompanato, um mafioso que até então usava o nome de John Steele. Johnny então começou a enviar diversos presentes para Lana, que mesmo intrigada o conheceu e acabou se envolvendo com ele. Lana descobriria quem realmente era Johnny, através de um amigo. Lana o confrontou e tentou terminar o caso, mas Johnny conseguiu fazê-la mudar de opinião. A partir de então se iniciou um relacionamento à base de agressões, chantagens, abusos psicológicos, términos e reconciliações.
Em setembro de 1957, enquanto estava em Londres gravando um filme com Sean Connery, Lana Turner recebeu a visita inesperada de Stompanato que estava desconfiado de que Lana e Sean estava tendo um caso. Na ocasião, Stompanato quase matou Lana estrangulada e ainda tentou matar Sean Connery que o desarmou e lhe deu uma surra. Lana Turner conseguiu fazer com que a Scotland Yard deportasse Stompanato e teve paz por um tempo.
Ao retornar para os EUA, Lana e Stompanato se reconciliaram, mas Lana sabia que teria que por um fim naquele relacionamento abusivo, mas lhe faltava coragem, já que Stompanato era violento e possessivo e sempre lhe fazia chantagens e ameaças. Em março, por não poder acompanhar Lana Turner na cerimônia do Oscar, onde ela era uma das indicadas ao prêmio de melhor atriz por "Peyton Place", Stompanato chegou a agredi-la.
Em 4 de abril de 1958, Lana Turner decidiu por um ponto final no relacionamento abusivo. Na ocasião, sua filha Cheryl, estava de férias do colégio interno e passava uns dias com a mãe. Lana e Stompanato discutiram violentamente e Stompanato ameaçou matar Lana, sua filha e sua mãe. Do seu quarto, Cheryl ouviu toda a discussão e saiu em defesa da mãe. Em um ato de desespero ao ver sua mãe sendo agredida pelo gângster, Cheryl o golpeou com uma faca no estômago. Stompanato morreu instantes depois.
Ironicamente, na autópsia, foi descoberto que Stompanato sofria de um problema de saúde que poderia matá-lo em breve, se essa tragedia não estivesse ocorrido. Cheryl se apresentou perante às autoridades. Como o assassinato fora cometido por uma filha de uma atriz famosa, logo o caso ganhou repercussão nas páginas de jornais, transformando a vida de Lana Turner e de sua filha Cheryl em um inferno. O caso foi explorado de todas as formas possíveis.
O ápice do circo midiático, ocorreu quando Lana Turner prestou seu depoimento no tribunal. Maldosamente alguns jornalistas disseram que a sua melhor performance como atriz se encontrava em seu depoimento. Após todo o circo, Cheryl foi absolvida e enviada para uma escola especial, sob cuidados psiquiátricos. A partir de então, Cheryl se tornou uma garota problemática, chegando a fugir da escola diversas vezes e a ser presa por posse de maconha.
A carreira de Lana Turner entrou em certo declínio, após o escândalo. O filme que ela havia feito com Sean Connery, chegou aos cinemas, mas não foi um grande sucesso, devido ao escândalo. Lana Turner e seu segundo marido Steve Crane, pai de Cheryl, chegaram a ser processados pela família Stompanato e tiveram que pagar uma indenização por fora.
Mesmo sendo boicotada devido ao escândalo, Lana Turner foi convidada por Douglas Sirk, para estrelar o remake de "Imitação da Vida" (Imitation of Life), de 1959. O filme se tornou um grande sucesso e Lana Turner pôde dar a volta por cima e ofuscar o escândalo que quase arruinou a sua carreira, mas as gravações não foram fáceis para Lana, que teve constantes ataques de pânico. Em 1966, estrelaria "Madame X", seu último grande papel como protagonista no cinema. Pelo seu desempenho bastante elogiado pela crítica, Lana recebeu um  David di Donatello, porém foi mais uma vez ignorada pela Academia, não recebendo indicação por sua performance.
Nas décadas de 70 e 80, Lana se dividiu entre o teatro e a televisão, sendo sua participação em "The Love Boat", em 1985, sua última aparição na tela. Durante os anos mais tortuosos de sua vida, Lana Turner acabou se tornando alcoólatra. Em sua autobiografia, chegou a falar sobre sua luta contra o vício e sobre a dificuldade em se tratar. Quando foi considerada livre do vício, Lana passou a participar de causas sociais sobre o alcoolismo, se tornando uma grande inspiração para os alcoólatras lutarem contra o vício.
Após enfrentar um câncer de garganta descoberto em 1992 e que acabou se espalhando, Lana acabou falecendo aos 74 anos, em 29 de junho de 1995. Mesmo considerada uma das maiores femme fatales do cinema, Lana Turner no fundo tinha os sonhos de uma garota ingênua, de encontrar o homem certo, se casar e ser feliz. Ela tentou de todas as formas encontrar esse homem e aparentemente não o encontrou.

"Contudo, o mais importante para mim, do que o dinheiro era, como sempre, o amor por que tanto esperava, e finalmente o encontrei, embora só por pouco tempo."

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