SCARFACE E A GLAMORIZAÇÃO DOS FILMES GÂNGSTER NA DÉCADA DE 30

No início da década de 30, antes do Código Hays ser imposto aos filmes, era comum vermos filmes que continham uma linguagem mais ousada. Insinuações sexuais, consumo de drogas, glamorização da prostituição, entre outros assuntos polêmicos, eram abordados com grande naturalidade. Foi nesse período que surgiu um novo gênero de filme que de certa forma glorificava atos criminosos: os filmes gângster. 
O ápice do gênero ocorreu em 1931, com o lançamento dos filmes "Alma no Lodo" (Little Caesar) e "O Inimigo Público" (The Public Enemy). A chegada definitiva do Código Hays entre 1934 e 1936, não impediu que os filmes desse gênero fossem proibidos de serem produzidos, porém esse tipo de filme sofria diversas retaliações. No final, o criminoso tinha que sempre ser punido pelos seus atos, passando a mensagem para os espectadores de que "o crime não compensava". Até mesmo antes da instalação do Código, esses filmes sofriam uma leve censura. O estúdio que mais se beneficiou com esse gênero, foi a Warner Bros.
Em 1932, seria produzido "Scarface", baseado em um romance de 1929 de mesmo título, escrito por Armitage Trail. O filme foi produzido por dois grandes nomes: Howard Hughes e Howard Hawks. Hughes era um aviador que se aventurou na produção de filmes, fundando futuramente a RKO, enquanto Hawks futuramente se consagraria entre os maiores nomes dos diretores de Hollywood. Hawks dividiu a direção do filme com Richard Rosson.
Era sonho de Hughes fazer um filme baseado na vida de Al Capone, famoso gângster que liderou uma gangue dedicada ao contrabando de bebidas, durante a Lei Seca, que proibia o comércio de bebidas alcoólicas. Capone é considerado até hoje o maior gângster da história e seu apelido era justamente "Scarface", devido a uma cicatriz no rosto, adquirida durante uma briga na adolescência. Hughes foi influenciado a não produzir o filme. 
A Warner, ironicamente rejeitou o projeto, alegando que não havia nada de novo a ser explorado com os filmes gângster. Ironicamente, nos anos seguintes, até o fim da década de 40, a Warner produziria mais clássicos do gênero como: "A Floresta Petrificada" (The Petrified Forest), "Balas ou Votos" (Bullets or Ballots), "Irmão Orquídea" (Brother Orchid), "Fúria Sanguinária" (The White Heat), entre outros.
Outro fator que influenciaria Hughes a não produzir o filme, era a censura que mesmo moderada, estava alerta com a crescente popularidade dos filmes enaltecendo criminosos. Mesmo com esses contrapontos, Hughes comprou os direitos do romance, que pouco teve a ver com o filme. O filme contém os mesmos personagens do filme, porém algumas partes foram suprimidas para dar ao filme um comprimento tolerável, além de algumas partes serem limadas, para agradar os censores. Mesmo o filme sendo baseado na vida de Capone, seu nome sequer é citado durante o filme.
Para o papel principal, o do gângster Tony Camonte, foi cogitado Clark Gable, porém Hawks não o considerava um bom ator. Foi então que o nome de Paul Muni foi sugerido a Hughes. Hughes chegou a abordar Muni, que inicialmente recusou o papel, por não se considerar fisicamente apropriado. Após ser pressionado por sua mulher, Muni acabou aceitando o papel. Um nome surpresa para o filme foi o de Boris Karloff, que inicialmente sofreu com a oposição dos críticos, por causa de seu sotaque britânico, porém sua escolha se revelou um grande acerto e sua atuação no filme é um dos pontos altos.
Como era de se esperar, o filme sofreu leves censuras. Os censores pediram que algumas cenas fossem removidas do filme e outras cenas condenando a marginalidade fossem incluídas. Além disso, um novo final foi gravado. Paul Muni, estava indisponível para as regravações e um dublê foi utilizado em seu lugar e a maioria das cenas, contam com sombras cobrindo o rosto do dublê. Hawks se negou a gravar as novas cenas e o final alternativo, tal missão ficou com Richard Rosson. Além de todas essas mudanças, o filme recebeu um subtítulo: "A Vergonha de Uma Nação" e um prefácio condenando as atitudes marginais do personagem.
Mesmo com todas as alterações, a versão censurada não foi aprovada e Hughes achava que isso era um complô armado por Louis B. Mayer da MGM, que visava proibir o crescimento de estúdios independentes. Hughes enfrentou os censores e exibiu a versão original do filme (com o prefácio condenando a marginalidade) em Hollywood e Nova York. Essa versão teve uma boa bilheteria e em alguns lugares teve críticas mistas. Para a imprensa, Hughes afirmou que a versão exibida era a censurada. 
Porém quando o filme entrou em circuito, o público em geral reclamou sobre o filme e o gênero gângster, afetando a bilheteria. Alguns críticos condenaram a produção do filme. Mesmo assim o filme faturou cerca de 600 mil dólares. O filme causou indignação entre os italianos e seus descendentes, pois o filme retratava os italianos como gângsters. Esse seria um dos  esteriótipos mais famosos desse gênero. O filme chegou a ser proibido na Alemanha e em alguns lugares da Inglaterra. Algumas cidades dos EUA, como Chicago, não exibiram o filme. Em 1941, o filme pôde ser exibido em Chicago e quebrou recordes de bilheteria. Incomodado com as criticas, Hughes retirou o filme de circulação e o filme permaneceu obscuro até o fim da década de 70. A polêmica que cercou o filme, impediu Hughes de produzir uma sequência.

"Scarface", foi lançado  pela Classicline. Clique na capa, para maiores informações ou para comprar:


SCARFACE E A GLAMORIZAÇÃO DOS FILMES GÂNGSTER NA DÉCADA DE 30 SCARFACE E A GLAMORIZAÇÃO DOS FILMES GÂNGSTER NA DÉCADA DE 30 Reviewed by Rodrigo Veninno on 08:11 Rating: 5

2 comentários:

  1. Terenos mais lançamentos d sse gênero ? Sou fã incondicional abraços

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    1. Olá Eduardo!!!
      Vou passar pra Classicline sua sugestão.
      Abração

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