O BLACKFACE NO CINEMA

Blackface é um termo usado a um tipo de maquiagem, usada por atores brancos, passando-se por negros. Geralmente, além da cor preta utilizada em todas as partes visíveis do corpo, era utilizada uma tinta vermelha ou branca para realçar os lábios, além de cabelos crespos. O resultado final era uma caricatura ofensiva e desrespeitosa aos negros. Essa prática ficou em evidência durante anos e hoje em dia é abominada pelo mundo todo.
O Blackface surgiu no século XIX e era bastante popular nos teatros. Existem registros de Blackface datados de 1769. Logo, o Blackface se tornou bastante popular, chegando a atingir o cinema. Como o racismo durante as décadas de 20 e 30 era forte, dificilmente os negros apareciam em filmes e quando apareciam, eram em papéis de empregados ou como figurantes. Na impossibilidade de se usar atores negros, os diretores e produtores recorriam ao Blackface. Vale lembrar que logo no início do cinema, Alice Guy-Blaché foi uma das diretoras mais corajosas ao enfrentar o racismo, usando atores genuinamente negros em suas produções.
Na primeira adaptação de "A Cabana do Pai Tomás" (Uncle Tom's Cabin), em 1903, todos os papéis de pessoas negras, foram interpretados por atores brancos, usando Blackface. "O Nascimento de Uma Nação" (The Birth of a Nation), considerado um clássico do cinema mudo, mas em si um filme totalmente racista, também fez uso de atores em Blackface, além de reforçar diversos esteriótipos sobre os negros.  
"O Cantor de Jazz", de 1927, é considerado até hoje um dos filmes mais importantes do cinema, por ter sido o responsável pela transição dos filmes mudos, para os sonoros. Al Jolson, o ator que protagonizou o filme, faz uso de Blackface em boa parte do filme. 
Na década de 30, estrelas como Judy Garland e Fred Astaire, fizeram uso de Blackface em números musicais de filmes. Até mesmo Shirley Temple, ainda uma criança, apareceu usando Blackface em um de seus filmes. Ainda na década de 30, a prática começou a cair em desuso, após diversos protestos, mas isso não impediu que nas décadas seguintes houvessem referências a essa prática.
Na década de 40, no filme "Se Eu Soubesse Amar" (The Torch Song), Joan Crawford faz Blackface em um número musical. E isso lhe custou caro: o filme foi um fracasso de bilheteria e crítica. Ainda nessa década, diversos filmes com Blackface foram produzidos. Na década de 60, foi a vez de Laurence Olivier fazer Blackface em "Othello". O filme foi bastante criticado, ainda mais por ser colorido e o tom de cor parecer artificial, mas isso não impediu que o filme recebesse diversas indicações ao Oscar, incluindo uma indicação a Olivier na categoria de melhor ator.
Na década de 80, década das comédias controversas, dois filmes merecem ser citados: "Trocando as Bolas" (Trading Places) e "Uma Escola Muito Louca" (Soul Man), sendo esse último um dos maiores desastres da década. O filme, conta a história de um rapaz que pra ganhar uma bolsa de estudo, se passa por negro. Ele ingere pílulas que "escurecem" a sua pele. Com isso, o personagem "sente na pele" o que uma pessoa negra sente. O filme foi amplamente criticado e a carreira de Christopher Thomas Howell, foi para o limbo. Até hoje o ator defende que o filme na verdade era anti-racista.
Nos últimos anos, a militância negra conseguiu conscientizar as pessoas de que o Blackface não é uma fantasia, mas sim uma caricatura nociva aos negros e que esse tipo de prática incentiva mais ainda o racismo. Os filmes que trazem Blackface, hoje podem ser vistos como forma de gerar debates e discussões, mostrando como naquele tempo era natural essa prática e como hoje as pessoas enxergam o quão desrespeitosa ela é.
O BLACKFACE NO CINEMA O BLACKFACE NO CINEMA Reviewed by Rodrigo Veninno on 12:34 Rating: 5

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