JANET GAYNOR E CHARLES FARRELL - A DUPLA DINÂMICA DO CINEMA MUDO

O cinema mudo, também produziu diversas parcerias de sucesso: Rudolph Valentino e Nita Naldi, Greta Garbo e John Gilbert, Gloria Swanson e Cecil B. DeMille, entre outras. Mas hoje gostaria de falar sobre uma das parcerias mais longas e famosas do cinema, mas que hoje, inexplicavelmente é bastante obscura: a parceria entre Janet Gaynor e Charles Farrell. Uma parceria de 12 filmes, com alguns clássicos inesquecíveis como: "O Sétimo Céu" (7th Heaven), "O Anjo das Ruas" (Street Angel) e "Lucky Star". E uma parceria que manteve-se no cinema sonoro.
O primeiro filme da dupla, foi justamente o filme mais famoso da parceria: "O Sétimo Céu" de 1929. O filme marcou também a parceria da dupla com o diretor Frank Bozarge. Sob o comando do diretor, a dupla estrelou ainda "O Anjo das Ruas" e "Lucky Star". "O Sétimo Céu" ganhou os prêmios de melhor atriz, melhor diretor e melhor roteiro.
"O Anjo das Ruas", seria o segundo filme estrelado pela dupla e novamente sob direção de Frank Bozarge. O filme foi produzido para repetir o mesmo sucesso de "O Sétimo Céu". Pelo seu desempenho, Janet Gaynor recebeu um Oscar na categoria de melhor atriz. O Oscar também valeria pelos desempenhos nos filmes "O Sétimo Céu" e "Aurora". Ela foi a primeira atriz a receber o prêmio na história do cinema e até uma parte da década de 30, era comum uma atriz ser indicada em uma categoria, por diversos desempenhos.
"Lucky Star", encerraria a parceria da dupla com Bozarge. O filme foi produzido em duas versões: uma versão muda e uma versão parcialmente sonora. Infelizmente as duas versões se perderam no decorrer do tempo, até que nos anos 80, a versão muda foi redescoberta em um arquivo holandês, enquanto a outra versão permanece perdida.
Após "Lucky Star" em 1929, Gaynor e Farrell passaram pela prova de fogo ao fazerem a transição dos filmes mudos para os sonoros: tiveram uma participação especial como eles mesmos no filme "Happy Days" (Dias Felizes), considerado o segundo filme em widescreen feito para o cinema e "Sunny Side Up" (O Sonho que Viveu), ambos musicais. Ironicamente, nenhuma cópia em widescreen de "Happy Days" sobreviveu. "Sunny Side Up" teve sequências filmadas em cores que hoje são consideradas perdidas e o filme sobrevive em uma cópia editada.
Em 1930, estrelariam "High Society Blues" (Tristezas da Aristocracia), mais um romance musical. No ano seguinte viria "The Man Who Came Back" (Divino Pecado), desta vez um filme dramático, fazendo com que a dupla voltasse às raízes da parceria do cinema mudo, onde estrelavam filmes românticos dramáticos. Ainda em 1931, a dupla faria os filmes "Merely Mary Ann" (Mary Ann), mais um filme com toques dramáticos e onde Janet Gaynor interpretava uma órfã. O filme foi dirigido por Raoul Walsh, grande diretor do período do cinema mudo e  "Delicious" (Deliciosa), uma comédia musical dirigida por David Butler, que havia dirigido a dupla em "Tristezas da Aristocracia" e "O Sonho que Viveu". Esse seria o último filme do diretor com a dupla.
Em 1932 viriam os filmes "The First Year" (Casar é Assim) e "Tess of the Storm Country" (Borrasca), sendo esse último um remake de duas versões da história estrelada por Mary Pickford em 1914 e 1922. "Change of Heart" (O seu Primeiro Amor) de 1934, encerraria a parceria iniciada no cinema mudo.
Após a separação, como era de se esperar, a dupla tomou caminhos diferentes: Janet Gaynor ainda estrelaria alguns filmes até 1938, quando se afastou do cinema, depois casou-se com o figurinista Adrian, chegando até a morar aqui no Brasil (em Goiás) durante a década de 50. Durante seu afastamento dos filmes, tornou-se uma talentosa pintora. Retornou aos EUA e fez algumas participações em séries. No teatro, chegou a fazer versões de "Ensina-me a Viver" (Harold and Maude) e" Num Lago Dourado" (On Golden Pond), em 1980 e 1982. Durante o ano de 1982, sofreu um acidente de carro que a fez encerrar definitivamente sua carreira de atriz. Janet morreu aos 77 anos, em 14 de setembro de 1984. 
Charles Farrell fez filmes até 1941, quando se afastou do cinema. Na década de 30, foi um dos primeiros moradores de Palm Springs, onde abriu um clube de jogos esportivos, que fez a área tornar-se popular. Ele se tornou prefeito da cidade entre os anos de 1947 a 1955. Na década de 50, conseguiu recuperar sua popularidade fazendo séries televisivas, chegando a ter o seu próprio show televisivo. Farrell morreu em 6 de maio de 1990, aos 89 anos.
Janet e Charles, não concentraram suas carreiras apenas nos filmes em que faziam juntos. Haviam intervalos onde eles faziam filmes com outros atores e atrizes, em busca de variações. Como era de se esperar, durante a primeira parte da parceria, ambos estiveram envolvidos romanticamente. Farrell chegou a pedi-la em casamento, porém ela o recusou. Em uma entrevista Janet disse: "Acho que nos amávamos, mas não estávamos 'apaixonados'. Ele era um homem forte, livre, festeiro. Eu não era assim. Eu não era uma garota festeira. Ele me pressionou a casar-me com ele, mas tínhamos muitas diferenças. Na minha época você não morava junto. As coisas não eram assim. Então casei-me com outro homem, apenas para fugir dele."
Um reencontro da dupla em 1965
JANET GAYNOR E CHARLES FARRELL - A DUPLA DINÂMICA DO CINEMA MUDO JANET GAYNOR E CHARLES FARRELL - A DUPLA DINÂMICA DO CINEMA MUDO Reviewed by Rodrigo Veninno on 19:45 Rating: 5

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