LON CHANEY - O CAMALEÃO DO CINEMA MUDO

Antes de Bela Lugosi, Boris Karloff, Christopher Lee, Peter Cushing e Basil Rathbone, tivemos Lon Chaney. Lon Chaney pode ser considerado o pai de todos esses atores e o pai do gênero do horror. Lon Chaney se popularizou no cinema, fazendo personagens que na maioria das vezes possuíam algum tipo de deformidade física. Quando o gênero de horror estava engatinhando no cinema mudo, Lon Chaney já estava por lá, interpretando personagens com conduta duvidosa. Seu talento e carisma eram tão grandes que na maioria das vezes o público simpatizava com seus personagens, mesmo a maioria deles sendo vilões. Por causa do perfeccionismo em sua atuação, ele ganhou a alcunha de "O Homem das Mil Faces". Seu perfeccionismo era tão latente a ponto dele mesmo desenvolver a caracterização dos seus personagens, sempre beirando o grotesco, mas sempre aceito pelo público.
Seu nome de batismo era Leonidas Frank Chaney e seus pais eram surdos. Por causa da deficiência dos seus pais, Chaney se especializou em mímica, recurso que lhe seria muito útil anos depois ao ingressar no cinema. Em 1902, ele entrou para o teatro e passou a viajar fazendo turnês de Vaudeville. Entre 1912 e 1917, foi contratado da Universal, fazendo diversos papéis pequenos no estúdio. Ainda na Universal, graças ao seu carisma, fez amizade com diversos diretores e sua técnica em maquiagem o fez ser notado a ponto dos diretores lhe sugerirem interpretar personagens macabros.
1917, marcaria a grande transição de sua carreira. Após uma negativa de aumento de salário, Chaney decidiu sair da Universal. Em 1919, em "The Miracle Man" (filme perdido), Lon Chaney finalmente mostrou sua habilidade como ator e maquiador. Em 1920, faria "The Penalty", filme que lhe exigiria muito fisicamente: ele interpretava um homem que não tinha as duas pernas. Suas pernas foram amarradas e diversos truques de câmeras foram utilizados. Uma cena marcante do filme é a que Chaney sobe as escadas com extrema agilidade e habilidade. 
O ponto alto de sua carreira foi a parceria com Tod Browning, com quem fez dez filmes. Tod Browning explorou as diversas facetas de Chaney, além dos seus talentos de maquiagem. Foram nesses filmes que Chaney pôde usar seus dons artísticos e se firmar como um dos atores mais poderosos do cinema mudo. Browning também lhe deu uma gama de personagens desafiadores, na maioria das vezes vilões com algum tipo de mutilação física.
Em 1925, assinaria contrato com a MGM, estúdio onde sua carreira alavancou. No ano anterior, antes de assinar contrato fixo com o estúdio, atuou em "Ironia da Sorte / Lágrimas de Palhaço" (He Who Gets Slapped), um de seus notórios papéis dramáticos, na pele de um palhaço que é rejeitado pelas pessoas. Antes de ir para a MGM, fez na Universal fez filmes como: "O Fantasma da Ópera" (The Panthom of the Opera) e "O Corcunda de Notre Dame" (The Hunchback of Notre Dame), que foram decisivos em popularizá-lo. Em 1927 faria dois clássicos que manteriam sua popularidade: "O Monstro do Circo" (The Unknown) e "London After Midnight", filme hoje perdido e um dos mais buscados pelo mundo.
Em 1928, entre os filmes feitos destacam-se "Laugh, Clown, Laugh!", filme onde mais uma vez interpretaria um palhaço e "West of Zanzibar", onde fez um mágico vingativo que possuía paralisia. Em 1930, com a transição do cinema mudo para o falado, faria "Trindade Maldita" (The Unholy Three), remake sonoro de um filme estrelado por ele em 1925, reprisando o mesmo papel. Ironicamente, justo quando estava iniciando sua transição para os filmes falados, Lon Chaney acabou falecendo, após ser diagnosticado com um câncer de pulmão e sofrer uma infecção na garganta em 26 de agosto de 1930, aos 47 anos. 
Em 1957, sua vida foi retratada de forma ficcional em "O Homem das Mil Faces" (Man of a Thousand Faces), com James Cagney o interpretando. Seu filho, Lon Chaney Jr. tornou-se um ator de filmes de horror. Na década de 30, a Universal gozou de grandes sucessos no gênero de horror, ciclo iniciado por "Drácula" dirigido por  Tod Browning. Esse é um dos períodos mais cultuados do gênero de horror do estúdio, mas muitos se esquecem dos dois grandes títulos estrelados por Chaney uma década antes que também popularizaram o gênero no estúdio, como também de todo seu legado no gênero. Foi Chaney lá atrás com seus personagens grotescos, mas que atraíam a simpatia do publico, que fez com que o gênero de horror se tornasse popular nas décadas seguintes. Hoje, Chaney segue um pouco esquecido, sendo lembrado apenas por fãs de cinema mudo e fãs do gênero de horror que pesquisam a fundo os clássicos do gênero.

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