O DIVISMO (DIVINISMO) NO CINEMA MUDO

Francesca Bertini
O que Greta Garbo, Bette Davis, Marlene Dietrich, Rita Hayworth, entre outras estrelas tem em comum? Além de serem grandes atrizes do cinema clássico, são consideradas até hoje Divas. "Diva" é uma entidade cercada de mistério, beleza, glamour e adoração, mas esse termo existe desde os primórdios do cinema e antes delas, existiam outras atrizes que eram endeusadas pelas pessoas. Mas afinal o que é o "Divismo" e como ele nasceu?
Sarah Bernhardt
O Divismo (termo original) provavelmente nasceu na Itália, uma das primeiras mecas do cinema mudo. Logo depois o Divismo se instalou em Hollywood, onde popularizou o sistema de astros e estrelas de cinema. Antes do Divismo cinematográfico, havia o teatral que surgiu em torno de 1890. Sarah Bernhardt, é a mais famosa e popular Diva teatral desse período. 
Lyda Borelli
No início da década de 10, na Itália, Lyda Borelli, estrelou o primeiro filme de Diva: "Ma l'amor mio non muore".  Além de Borelli, havia também  Francesca Bertini, uma das atrizes que popularizaram o termo "Diva".  Pina Menichelli , Itália Almirante Manzini, foram outras atrizes italianas que contribuíram para o Divismo. As Divas também foram responsáveis pelo nascimento das Vamps no Cinema Mudo.
Francesca Bertini
Na década de 20, o Divismo chega em Hollywood. O Divismo foi responsável pela criação da Hollywood que conhecemos até hoje. O famoso "Star System". Os filmes começaram a ser produzidos com uma preocupação maior e com mais qualidade, afim de se tornarem um veículo de divulgação de suas estrelas e astros contratados. Hollywood também criava um misticismo em torno de seus contratados. Greta Garbo e Marlene Dietrich são os maiores exemplos do Divismo em Hollywood. Garbo adquiriu a fama de ser inalcançável, enquanto Dietrich adquiriu a fama de ser uma mulher sensual.
Itália Almirante Manzini
Com a chegada do cinema sonoro, o Divismo sofreu um leve declínio, com a queda de diversos atores e atrizes que não se adequaram ao novo sistema. Foi nesse período também que o Divismo sofreu uma grande transformação: no cinema mudo, os atores e atrizes eram vistos como pessoas livres e inconsequentes. Com a chegada do Código Hays, Hollywood trabalhou a imagem dos astros e estrelas, beirando o moralismo, mas não deixando de lado o apelo sexual e midiático.
Anna Magnani
O Divismo passaria por uma nova transformação durante o Neo-Realismo na Itália: Anna Magnani, uma atriz que fugia dos padrões de beleza impostos pelo Divismo, se tornaria um dos grandes nomes desse período, justamente por quebrar regras de beleza, fugir do status de "deusa inalcançável" e ter um forte temperamento, criando uma legião de atrizes seguidoras de seu estilo como: Sophia Loren, Gina Lollobrigida, entre outras. Nesse período, Ingrid Bergman também quebrou barreiras ao abandonar o estilo Hollywoodiano e entrar de cabeça nos filmes Neo-Realistas que não possuíam o mesmo glamour dos filmes americanos e eram bem mais artesanais e humanos.
Jean-Luc Godard
Nos anos 60, o Divismo novamente passaria por uma transformação com a chegada da Nouvelle Vague, que traria o Divismo não só para os atores, mas principalmente para os diretores. Nomes como François Truffaut e Jean-Luc Godard, representam esse período, onde os diretores passaram a ser endeusados até mais que os atores. Ainda na Itália, seria a vez de Fellini.
Monica Vitti
Ainda nos anos 60, o Divismo popularizaria estrelas como Brigitte Bardot e Monica Vitti, mas também encontraria astros e estrelas que recusavam-se a aderir ao movimento: Marlon Brando, James Dean, Paul Newman, Montgomery Clift. Marilyn Monroe, mesmo considerada uma "Diva", não fez parte do movimento, já que lutava contra a imagem que os estúdios queriam construir sobre ela.
Sessue Hayakawa
O Divismo como percebe-se, não se enquadrava apenas às mulheres. No cinema mudo homens como Sessue Hayakawa, Chaplin e Buster Keaton se enquadravam no Divismo. Rudolph Valentino provavelmente foi o maior ator do Divismo no Cinema Mudo. Atraía multidões para o cinema, é considerado um dos primeiros símbolos sexuais do cinema e sua morte causou comoção mundial, contribuindo com diversos casos de suicídio entre seus fãs.
Rudolph Valentino

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