LOTTE REINIGER - A DIRETORA PIONEIRA DE ANIMAÇÕES

Lotte Reiniger, talvez seja hoje em dia um nome desconhecido para muitos cinéfilos e até mesmo para fãs de animação, mas sua importância para o cinema, a impede de ser totalmente esquecida. Lotte é considerada a pioneira no cinema de animação. "As Aventuras do Príncipe Achmed", de 1926 é considerada a sua obra-prima, além de ser uma das primeiras animações do cinema. Além disso, ela também foi responsável pela criação da primeira forma de câmera em multiplano.
Na infância, ficou fascinada pelo teatro de sombras chinesas, chegando a criar seus próprios fantoches e a fazer apresentações para família e amigos. Com a chegada da adolescência e do cinema, ela teve em Méliès uma grande inspiração, mas foi com Paul Wegener, diretor de "O  Golem", que Lotte iniciaria sua carreira no cinema. Através de Wegener, Lotte se inscreveu no teatro Max Reinhardt, trabalhando nos bastidores a princípio.
Foi nos bastidores que Lotte aprimorou sua arte: Ela começou a fazer retratos de silhueta dos vários atores ao seu redor, e logo ela estava fazendo cartões de título elaborados para os filmes de Wegener, muitos dos quais apresentavam suas silhuetas. Em 1918, após criar animações para um filme de Wegener e ser bastante elogiada por esse trabalho, Lotte foi admitida no Instituto de Pesquisas Culturais, um estúdio de animação e curta-metragens.
Seu primeiro trabalho como diretora foi em 1919, com Das Ornament des verliebten Herzens (O Ornamento do Coração Apaixonado).  Mesmo com cinco minutos de duração, o trabalho foi bem recebido até mesmo nos Estados Unidos. Em 1926, realizaria "As Aventuras do Príncipe Achmed", filme pelo qual seria reconhecida posteriormente. A animação, é considerada a mais antiga sobrevivente do cinema. Lotte levou de 1923 a 1926 para concluir essa animação.
Com a chegada do Nazismo na Alemanha, Lotte e seu marido, se viram obrigados a abandonar o país e como não conseguiam morada permanente em nenhum outro país, passaram a viver em diversos lugares pelo mundo. Com a chegada do cinema sonoro, Lotte e seu marido Carl Koch, começaram a desenvolver músicas para filmes de animação. Chegaram a ser colaboradores de Jean Renoir e Luchino Visconti. Fizeram durante esse período 12 filmes, dos quais se destacam "Carmen" (1933) e "Papageno" (1935), baseados em óperas. 
Em 1944, Lotte e seu marido foram forçados a voltar para a Alemanha, pelo fato de Lotte descobrir  que sua mãe estava doente. Lotte foi obrigada por Hitler a fazer filmes com propagandas nazistas. Em 1949, eles conseguiriam se mudar para Londres. Na década de 50, trabalhou bastante com teatro de sombras, chegando a adaptar Oscar Wilde. Na televisão ela adaptou diversos contos de fadas para o teatro de sombras, sendo filmados ao vivo. 
Em 1953, chegou a fundar seu próprio estúdio de animações, em parceria com Louis Hagen Jr. Adaptou diversos contos dos irmãos Grimm para o teatro de sombras. Na década de 70, seu trabalho foi reconhecido e homenageado na Alemanha. Lotte faleceu em 19 de junho de 1981, na Alemanha, país onde nasceu e desenvolveu a maior parte do seu legado.







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