OLIVIA DE HAVILLAND VS JOAN FONTAINE - O EMBATE DAS IRMÃS EM HOLLYWOOD

Hollywood era o templo das fofocas e intrigas, como também das rivalidades. Os filmes davam lucros aos estúdios, mas eram as fofocas que faziam a indústria movimentar-se. Em sua era de Ouro, Hollywood foi palco de diversos escândalos. Notas em revistas e jornais sobre a vida íntima  de atores e atrizes eram constantemente publicadas. O público ia ao delírio com cada  escândalo que surgia. Uma das mais famosas inimizades em Hollywood, foi protagonizada por duas irmãs: Olivia de Havilland e Joan Fontaine. As duas possuíam um relacionamento bastante turbulento desde a infância. Chegaram a ter momentos de trégua, mas quando estavam brigadas, não faziam questão alguma de esconder. E muitos desses embates se tornaram conhecidos para o deleite do público e dos jornalistas.

A rivalidade entre as duas começou ainda no berço. Olivia foi a primogênita da atriz Lillian Fontaine. Joan Fontaine, nasceria meses depois. Em entrevistas, Joan Fontaine sempre deixou claro que sua irmã, nunca se conformou em ter que dividir as atenções dos seus pais com ela. A relação das irmãs azedou mais ainda, após a separação dos pais. 

A primeira a atingir o estrelato foi Olivia de Havilland,  ao substituir Gloria Stuart na montagem teatral de "Sonho de Uma Noite de Verão". Olivia foi bastante elogiada ao fazer o papel de Hermia e foi convocada a repetir o papel na versão cinematográfica, em 1935, assinando um contrato com a Warner. Ainda na Warner, ela firmou uma parceria de sucesso com Errol Flynn,  em um total de oito filmes. Após uma série de papéis como mocinhas indefesas em filmes com Errol Flynn, Olivia sentiu que sua carreira precisava de um novo rumo: foi então que surgiram testes para a cobiçada versão cinematográfica de "...E o Vento Levou", em 1938.

Ao contrário da maioria das atrizes que disputavam o papel de Scarlett O'Hara, Olivia viu no papel da doce Melanie Hamilton, a chance de se desvincular dos papéis estereotipados que fazia. Após convencer Jack Warner, Louis B. Mayer e David O. Selznick, Olivia ganhou o papel. Chegou a ser indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante, mas perdeu para a companheira de filme Hattie McDaniel, que tornou-se a primeira atriz negra a ganhar um Oscar.

Enquanto Olivia ascendia em Hollywood, Joan amargava um difícil começo. Nem a própria mãe, lhe dava qualquer tipo de suporte. Lillian sempre encorajou as filhas a terem conhecimento em artes e literatura, mas apoiou apenas Olivia na carreira de atriz, tanto que proibiu Joan de adotar o sobrenome "de Havilland", alegando que em Hollywood haveria apenas uma e seria Olivia. Joan então adotou o sobrenome do padrasto George Fontaine.


Joan amargou um fracasso logo em seu primeiro papel importante em "Cativa e Cativante" (A Damsel in Distress ), primeiro filme de Fred Astaire sem Ginger Rogers. O público rejeitou o filme justamente por esse motivo e torceu o nariz para Joan. Joan seguiu fazendo papéis insignificantes até ser escalada por Alfred Hitchcock em 1940, para o filme "Rebecca". Por seu desempenho no filme, Joan recebeu sua primeira indicação ao Oscar, perdendo para Ginger Rogers em "Kitty Foyle".


Em 1941, Joan seria escalada novamente por Hitchcock para o filme "Suspeita" (Suspicion), enquanto Olivia havia sido emprestada para a Paramount e estava sendo bastante elogiada por seu desempenho em "A Porta de Ouro" (Hold Back the Dawn). Ambas foram indicadas ao Oscar e concorreram com Bette Davis, Greer Garson e Barbara Stanwyck. Joan acabou levando o prêmio e com isso a relação das irmãs que não era nada boa, tornou-se insustentável, já que Olivia acusou Joan de não responder ao seu cumprimento pela vitória da irmã durante a cerimônia. 


Anos mais tarde foi a vez de Olivia dar o troco na irmã, recusando-se a cumprimentá-la, após ganhar o Oscar por "Só Resta Uma Lágrima'' (To Each His Own), em 1947. "Aproximei-me para parabenizá-la como faria com qualquer vencedor. Ela olhou para mim, ignorou minha mão, agarrou seu Oscar e foi embora", diria Joan Fontaine anos mais tarde. Já Olivia teria confidenciado ao seu agente: "Eu não sei por que ela faz isso quando ela sabe como eu me sinto."

Joan se casou primeiro e tal fato irritou profundamente Olivia, pois naquela época era inaceitável que a irmã mais nova se casasse antes da mais velha. Quando Olivia se casou, Joan fez declarações nada amigáveis sobre o marido da irmã. "Eu jurei que nunca me reconciliaria com Joan até que ela se desculpasse", disse Olivia em uma entrevista em 1957, mas durante a década de 60, as irmãs selaram uma trégua e estavam sempre se visitando e conversando.

A relação de  ambas tornou-se complicada novamente em 1975, ano da morte de Lillian, mãe das atrizes. Olivia cuidara de Lillian, enquanto Joan estava viajando. Olivia dificultou ao máximo para que a irmã fosse ao funeral da mãe. Olivia só cedeu à pressão, após Joan ameaçar contar toda a história para a imprensa. Em 1978, Joan lança um livro de memórias falando sobre o conturbado relacionamento com Olivia. No mesmo ano ambas foram convidadas para uma festa que homenageava os ganhadores do Oscar. Cada uma sentou em um extremo da mesa e não se cruzaram durante a celebração.

Certa vez em uma entrevista, Joan Fontaine disse: "Olivia sempre disse que eu era a primeira em tudo - eu me casei primeiro, ganhei um Oscar primeiro, tive um filho primeiro. Se eu morrer, ela ficará furiosa, porque de novo, terei chegado primeiro!". Joan Fontaine faleceu em 15 de dezembro de 2013, aos 96 anos. Surpreendendo muitos, Olivia emitiu uma nota de pesar sobre a irmã. 

Durante seu centenário, Olivia deu uma entrevista em que falava um pouco sobre a rivalidade com sua irmã: "Uma rixa implica em uma conduta hostil e contínua entre duas partes. Não consigo pensar em uma única instância em que iniciei um comportamento hostil". "Da minha parte, nossa relação sempre foi amorosa, mas às vezes distante e, nos últimos anos, éramos completamente separadas". Olivia faleceu em 26 de julho de 2020, aos 104 anos. Junto com ela, uma das mais famosas rivalidades existentes em Hollywood, também deixava de existir e se tornaria um fato de um passado distante.

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