AS DIVAS DO CINEMA MUDO ITALIANO

Meses atrás, eu dei uma fugida do cinema mudo americano e falei um pouco sobre o surgimento do Divismo-Divinismo no cinema mudo italiano. Falei por cima sobre as divas do cinema italiano. Hoje, trago algumas das grandes divas do movimento, para que vocês possam conhecer mais sobre elas.

Lyda Borelli 

É considerada a primeira das Divas, pois estrelou em 1913, o primeiro filme considerado como um "filme de Diva": "Ma l'amor mio non muore", dirigido por Mario Caserini, considerado o maior e melhor diretor do cinema mudo italiano. Borelli foi também uma das vamps do cinema mudo italiano, muitas  vezes interpretando mulheres que suicidavam-se tomando veneno. Seu estilo de atuação dividia opiniões, mas muitas mulheres viam seus filmes e imitavam seus trejeitos fora das telas. Em 1918, no auge de sua carreira, abandonou o cinema, para casar-se e formar uma família.

Francesca Bertini

Bertini, foi responsável por trazer um novo estilo de atuação às Divas. Enquanto Borelli trazia um estilo exagerado e passional, Bertini trazia um estilo mais contido e realista, diferenciando-se das demais Divas. Em 1915, tendo feito cerca de 50 filmes, estrela “Assunta Spina”, filme que a imortalizaria no cinema mudo italiano, tornando-a a atriz mais bem paga do mundo. Ela perderia esse posto no ano seguinte para Mary Pickford. Em 1920, chegou a ser sondada pela Fox, para estrelar filmes americanos, mas recusou a proposta. Com a chegada do cinema sonoro, fez alguns poucos filmes e se retirou com a chegada da Segunda Guerra. Só interrompeu o hiato, na década de 70, após muita insistência de Bernardo Bertolucci, que a convenceu participar de seu filme "1900" (Novecento), em 1976.

Eleonora Duse

Duse, era uma atriz mais teatral, tanto que sua única participação no cinema, foi em um curta chamado "Cenere", em 1917. Além de atuar no curta, Duse também escreveu o roteiro. Foi uma das primeiras Divas a usarem o corpo como instrumento de atuação, ao invés do rosto. Era conhecida por ser bem introspectiva e por usar pouca maquiagem. Foi também a primeira mulher a estampar a capa da revista Time. 

Italia Almirante Manzini

Atingiu o sucesso em 1914, no filme "Cabiria", um dos filmes mais famosos do cinema mudo italiano. Atuou com os melhores diretores de sua época:  Ugo De Simone , Roberto Roberti , Augusto Genina , Giovanni Pastrone e Gero Zambuto, estrelando diversos filmes de Diva. Mas foi com seu primo Mario Almirante, que Italia mais trabalhou. Em 1935, mudou-se para o Brasil, onde faleceu em 1941, após ser picada por um inseto venenoso.

Pina Menichelli

Após diversas participações no cinema, foi lançada como estrela pelo diretor Giovanni Pastrone, que havia produzido "Cabiria", um ano antes. Reza a lenda que Menichelli, foi descoberta por Pastrone, após este ver uma participação sua em "Cabiria". O diretor ficara impressionado com o desempenho de Menichelli, ao ver o copião final do filme. No filme, Menichelli fez um pequeno papel. "Il Fuoco", dirigido por Pastrone, traz Menichelli em seu primeiro e grande papel de Diva. Seu desempenho lhe consagrou e ela ascendeu rapidamente ao posto das grandes Divas do cinema mudo daquele período. Em 1916, novamente sob a direção de Pastrone, estrela "Tigre Reale", mais um grande sucesso. Ambos os filmes fizeram com que Menichelli se diferenciasse das outras Divas, por trazê-la em atuações mais sensuais e eróticas, onde a atriz fazia questão que o diretor explorasse ao máximo seu rosto. Aposentou-se em 1924.

Rina De Liguoro

Antes de tornar-se atriz, De Liguoro era uma qualificada pianista. Sua carreira de atriz começou, após ser encorajada por seu marido, o ator  Wladimiro De Liguoro, filho do diretor Giuseppe. Influenciada pelo marido, troca seu nome de batismo, Elena Caterina Catardi, por Rina De Liguoro. Mesmo sendo nora de Giuseppe, De Liguoro começou a carreira por baixo, fazendo diversos papéis pequenos, até estrelar o drama épico "Messalina", em 1923. Após o sucesso desse filme, De Liguoro, especializou-se em atuar em épicos do cinema mudo italiano como "Quo Vadis?" de 1924, "Gli ultimi giorni di Pompei" (Os Últimos Dias de Pompéia) de 1926, entre outros. Esses filmes épicos lhe trouxeram para o patamar de Diva. Chegou a trabalhar na França, Alemanha e Estados Unidos, em filmes onde desempenhava papéis insignificantes. Após essas experiências, De Liguoro retornaria à Itália e largaria o oficio de atriz, para retornar a carreira de pianista. Faria alguns papéis pequenos entre 1942 e 1963.

Hesperia

Começou a carreira como atriz de Variedades. Em 1913, estrela "Zuma", ao lado do ator Ignazio Lupi, ator que tornaria seu parceiro em diversos filmes melodramáticos. No auge de seu sucesso, travou uma rivalidade com Francesca Bertini, causando um embate de Divas, quando cada uma decidiu filmar uma versão de "A Dama das Camélias". 

Leda Gys

Seu primeiro grande sucesso foi "L'Histoire d'un Pierrot", em 1913. Em 1915, "Leda innamorata", traria seu nome em primeiro lugar nos créditos, além de ser um filme que parodiava as Divas. Tornou-se parceira de  Mario Bonnard, estrelando com ele diversos filmes entre 1915 e 1916. Em "Christus" (1916), fez o papel de Madona. Em 1923, a comédia "Santarellina", seria considerada seu maior sucesso. Em 1929, larga a carreira para cuidar do filho.

Vittoria Lepanto

Seu nome de batismo era  Gabriele D'Annunzio. Seu nome artístico é inspirado na Batalha de Lepanto, ocorrida em 7 de outubro de 1571. Sua carreira começou no teatro. Sua carreira cinematográfica durou entre 1909 e 1920, chegando a interpretar Carmen, Lucrécia Bórgia, Camille e Salomé, filmes pré-Divismo, que foram decisivos para colocá-la no status de Diva, quando o Divismo passou a existir na Itália. Como Diva, estrelou os filmes "La signora delle perle" de 1918 e "L'ombra" de 1917.

Fonte:

www.casadamemoriaitaliana.com.br

Me auxiliou em ideias para os nomes das atrizes para esse artigo.

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