ESCÂNDALOS EM HOLLYWOOD DURANTE A ERA SILENCIOSA DO CINEMA


Hollywood sempre se esforçou em fazer de seus astros e estrelas um exemplo de moralidade para os fãs e admiradores de filmes, mas nem sempre a Meca do Cinema conseguia transmitir uma imagem perfeita de seus contratados. Sempre houveram escândalos que arruinavam carreiras. E isso não era uma exclusividade do cinema sonoro. Lá atrás, bem no início do cinema, Hollywood já fazia malabarismos para evitar que a imagem criada de seus contratados fossem corrompidas por suas extravagâncias fora dos estúdios. As famosas cláusulas de moralidade já existiam na metade da década de 20. Muitas vezes os estúdios falhavam miseravelmente e os escândalos tomavam proporções inimagináveis e a carreira de diversos atores e atrizes foram comprometidas.


Jack Pickford e a morte de Olive Thomas - O Primeiro Grande Escândalo de Hollywood
Olive Thomas era uma das estrelas em ascensão no cinema mudo. Jack Pickford era irmão de Mary Pickford. Jack e Olive casaram-se em 1916 e viveram um casamento bastante turbulento. Com o casamento em crise, em agosto de 1920, decidiram viajar para Paris, para dar uma sobrevida ao relacionamento. Em 5 de setembro de 1920, após retornar de uma festa, Olive embrigada, ingeriu acidentalmente uma solução de bicloreto de mercúrio, um remédio que havia sido recomendado para a Sífilis de Pickford. Ela foi levada a um hospital e agonizou durante cinco dias, morrendo em 10 de setembro, aos 25 anos. Dias após sua morte, surgiram rumores que sua morte não havia sido acidental, mas sim um suicídio, após descobrir que Jack Pickford lhe transmitira Sífilis. Surgiram boatos de que Olive havia se viciado em cocaína. Jack Pickford desmentiu todos os boatos e a morte de Olive foi declarada oficialmente como acidental.


Fatty Arbuckle e Virginia Rappe - O Escândalo mais famoso do Cinema Mudo
Roscoe Arbuckle ou "Fatty" Arbuckle, era um dos nomes mais populares dos filmes de comédia no cinema mudo. Atuou com Buster Keaton e Mabel Normand em diversos curtas e filmes. Sua carreira entrou em declínio, após estourar um escândalo ocorrido em uma festa, em 3 de setembro de 1921. Arbuckle e alguns amigos se hospedaram em um hotel e chamaram algumas mulheres para uma "festa". Entre as mulheres convidadas, estava Virgina Rappe, uma atriz que lutava por um lugar ao sol em Hollywood. Durante a festa, Virginia  sentiu-se mal e foi atendida por um médico, que diagnosticou uma intoxicação. Virginia morreu dias depois por uma infecção que é causada quando um órgão interno é rompido. O escândalo iniciou-se quando uma amiga de Rappe, disse que havia visto Arbuckle estuprar e perfurar Rappe com uma garrafa. Arbuckle até então não sentiu medo das consequências das declarações da moça, pois considerava-se inocente e haviam boatos de que a moça estava extorquindo dinheiro dele. Arbuckle sofreu um processo que tornou-se um circo midiático. Ele chegou a enfrentar três julgamentos e enquanto isso, viu seus filmes serem banidos dos cinemas. Arbuckle acabou sendo absolvido da acusação de homicídio, mas pagou um preço caro pelo escândalo: foi proibido de estrelar novos filmes. Contou com a ajuda de amigos como Buster Keaton, que lhe arrumavam filmes para dirigir sob um pseudônimo. Arruinado, tornou-se alcoólatra. Em 1931, chegou a assinar um contrato com a Warner, para estrelar alguns filmes. Nessa época, os ânimos estavam mais calmos e ele ensaiava um retorno ao estrelato, mas um enfarto fulminante em 29 de junho de 1933, interrompeu seus sonhos. 


Mabel Normand e o assassinato de William Desmond Taylor
Mabel Normand, é considerada uma das primeiras mulheres comediantes do cinema. Tinha uma carreira próspera, até se envolver em um escândalo de assassinato que além de arruinar sua carreira, contribuiu para que seu legado fosse esquecido e que fosse lembrada apenas por esse episódio. William Desmond Taylor, além de ator, era também diretor. Seu nome virou manchete, após encontrarem seu corpo dentro de seu bangalô, em 2 de fevereiro de 1922. Um médico fez um exame superficial e declarou hemorragia estomacal como causa da morte. Investigadores forenses não tiveram a mesma opinião: eles descobriram que o diretor havia sido baleado nas costas, por uma pistola. Em seus bolsos haviam dinheiro e uma fotografia da atriz Mabel Normand, em seu dedo havia um anel de diamante. Logo, a hipótese de roubo foi descartada, mesmo dias depois, terem descoberto que uma quantia em dinheiro não declarado havia sumido. Com o passar do tempo, uma lista de suspeitos foi criada e entre os nomes estava o de Mabel. Haviam fortes boatos de que os dois tinham um caso e que Mabel  era uma viciada em cocaína, em busca de reabilitação. Desmond então decidiu iniciar uma caça às bruxas contra os fornecedores de drogas, que decidiram contratar um matador de aluguel pra dar cabo dele. Mabel havia sido a última pessoa a ver Desmond com vida, mas mesmo assim não foi considerada uma possível assassina. Por causa da exposição de seu vício e do escândalo amoroso, Mabel viu sua carreira ser arruinada. Em 1924, voltou às manchetes, após seu motorista atirar e matar Courtland S. Dines, um milionário. Continuou a fazer filmes, mas obteve sucesso bastante moderado. Acabou falecendo de tuberculose em 23 de fevereiro de 1930, aos 36 anos.


Wallace Reid, Barbara La Marr e Jeanne Eagels - A Dose Fatal
Wallace Reid, Barbara La Marr e Jeanne Eagels, foram três nomes bastante populares em Hollywood, durante o cinema mudo. Outra semelhança além do sucesso, foi o vício em drogas do astro e das duas estrelas. Wallace, adquiriu vício em morfina após sofrer um acidente. Ele morreu em um sanatório, tentando se recuperar do vício, em 18 de janeiro de 1923, aos 31 anos. Barbara La Marr, uma das vamps do cinema mudo, era viciada em morfina e heroína, além do vício em bebidas. Ela faleceu com apenas 29 anos em 30 de janeiro de 1926. Jeanne Eagels foi uma das maiores estrelas autodestrutivas do cinema. Durante o sucesso, fez uso de heroína, além de adquirir o vício em bebidas. Com a saúde deteriorada, ela faleceu em 3 de outubro de 1929. Exames toxicológicos revelaram que Eagels tinha álcool em seus órgãos quando ela morreu, além de heroína e hidrato de cloral (sedativo).


Marion Davies e seu Amante de Papelão
O escândalo ao qual o nome de Marion Davies foi associado, daria uma trama completa para um livro escrito por Agatha Christie. Davies era amante de William Randolph Hearst, dono de uma rede de jornais. Hearst suspeitava que Davies tinha um caso com Chaplin e então decidiu convidá-los para um passeio de iate, com diversos convidados, entre eles a colunista Louella Parsons. Thomas H. Ince, um ator e produtor de cinema, também foi convidado para o passeio, mas como convidado de honra, por estar na ocasião completando 42 anos. Ince, acabou pegando o iate com atraso, pois estava em uma reunião de negócios. Após um jantar, Ince sofreu um intoxicação alimentar e teve que ser removido do iate. Menos de 48 horas depois em 19 de novembro de 1924, Ince foi encontrado morto em sua casa. A causa oficial foi um ataque cardíaco. Um jornal de Los Angeles contava uma outra história: '"Produtor de cinema baleado no iate de Hearst!". Misteriosamente, o jornal com essa manchete desapareceu horas após sua publicação e o corpo de Ince, havia sido cremado. Um boato começou a surgir, afirmando que Hearst, desconfiava que Chaplin e Davies eram amantes e que ele havia os reunido para desmascará-los e que havia atirado em Ince, confundindo-o com Chaplin. Davies e Chaplin negaram todos os rumores possíveis e houve suspeitas de que Hearst soltou muito dinheiro para abafar o mais rápido possível o incidente. 

Nota aos leitores brasileiros: a expressão "Amante de Papelão", vem do título do filme "The Cardboard Lover", estrelado por Marion Davies em 1928.


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