AS TRÊS PRIMEIRAS MULHERES A DIRIGIREM FILMES NO BRASIL


Os primórdios do cinema brasileiro são bem obscuros graças à falta de preservação da memória. Muitos filmes realizados no início do cinema brasileiro não existem mais. Atores e atrizes desse período foram esquecidos com o tempo. Quase ocorreu o mesmo com as diretoras, se não fosse pelo movimento feminista dentro do cinema, que resgatou a memória e o legado das três primeiras diretoras brasileiras: Cleo de Verberena, Carmen Santos e Gilda de Abreu. Mesmo boa parte da obras delas terem se perdido (principalmente a única obra dirigida por Cleo), ainda é possível reconhecer a importância e a influência que essas mulheres exercem nas cineastas brasileiras contemporâneas. Cleo e Carmen, possuem perfis no site Women Film Pioneers, responsável por resgatar a memória das mulheres pioneiras do cinema.


Cleo de Verberena
Seu nome de batismo era Jacyra Martins da Silveira. É considerada a primeira mulher a dirigir filmes no Brasil. "O Mistério do Dominó Preto" de 1931, é a sua única obra. Após seu marido receber uma herança, decide com ele, produzir filmes. Abriram uma produtora chamada EPICA-FILM. Em 1930, começa a produção de "O Dominó Preto". Muda seu nome para Cleo de Verberena, assim como seu marido muda de Cesar Melani para Laes Mac Reni. O filme atraiu bastante publicidade, principalmente pelo fato de ser dirigido por uma mulher. Além de produzir e dirigir, Cleo também protagonizou o filme. O filme estreou em fevereiro de 1931, apenas em São Paulo. O filme acabou fracassando devido aos exibidores preferirem os filmes americanos que davam mais lucro na época. Os prejuízos do filme foram altos. Em 1935, César faleceria com apenas 31 anos. Após esse golpe, Cleo decide afastar-se do cinema. Faleceu em 6 de outubro de 1972, aos 63 anos. Sua única obra como diretora e atriz, foi perdida para sempre.
 

Carmen Santos
Nascida em Portugal, Carmen veio para o Brasil ainda pequena. Foi uma das atrizes mais importantes do nosso cinema brasileiro, em seu princípio. Seu primeiro papel como atriz foi no filme "Urutau" em 1919, já como protagonista. Ela chegou a afirmar na época que esse foi o primeiro filme que ela havia visto no cinema, já que era tão pobre que não possuía dinheiro para ir ao cinema com frequência. Seus próximos filmes, além de atuar, age também como produtora. Em 1929, estrela "Sangue Mineiro", sendo dirigida por Humberto Mauro. Em 1931, estrela "Limite", primeiro filme de Mário Peixoto. Com a chegada do cinema sonoro, ela une forças com Humberto Mauro e Antônio Seabra e fundam a Brasil Vox Filmes (posteriormente chamada  Brasil Vita Filmes). Com Humberto Mauro, produz mais três filmes: "Favela dos Meus Amores", "Cidade Mulher" e "Argila". Dos três apenas "Argila" sobreviveu ao tempo. Em 1936, começa a trabalhar o seu mais audacioso projeto: "Inconfidência Mineira", que seria lançado mais de 10 anos depois, em 1948. Ela roteirizou, produziu, dirigiu e atuou no filme. As filmagens ocorreram entre 1941 e 1948. O filme tornou-se um fracasso de bilheteria e acabou perdendo-se com o tempo. Carmen faleceu em 24 de setembro de 1952, aos 48 anos, vítima de um câncer.


Gilda de Abreu
Nascida na França, Gilda veio para o Brasil com quatro anos. Em 1936, já casada com Vicente Celestino, faz sua estreia no cinema em "Bonequinha de Seda", sendo dirigida por Oduvaldo Vianna. O filme fez grande sucesso e chegou a ser exibido em outros países como Argentina, Chile, Portugal e Uruguai. Na década de 40, passa a escrever radionovelas e em 1945, começa a trabalhar em "O Ébrio", filme que tornaria-se um dos maiores clássicos do cinema brasileiro. Antes de tornar-se um filme, "O Ébrio" foi uma peça de teatro. Gilda dirigiu o filme, enquanto Vicente Celestino a ajudava no roteiro, além de ser o protagonista do filme. Após o lançamento de "O Ébrio'', em 1946, Gilda começa a produzir "Pinguinho de Gente", lançado em 1949, sendo até então o maior orçamento da Cinédia, um dos estúdios de cinema brasileiros da época. "Pinguinho de Gente" torna-se fracasso de crítica e bilheteria. Seu próximo filme seria "Coração Materno", filme que além de dirigir, também protagonizaria ao lado do marido. Com o fracasso de "Coração Materno", Gilda decide afastar-se da atuação e produção de filmes. Passou a  a escrever romances, novelas radiofônicas e a contribuir com roteiros para o cinema brasileiro. Seu romance "A Mestiça", escrito em 1944, foi adaptado para o cinema na década de 70. Em 1977 realiza um documentário em curta-metragem, chamado "Canção de Amor", em homenagem ao marido, morto em 1968. Faleceu em 4 de junho de 1979, aos 74 anos.

Recortes de época - Clique para ampliar

Cleo de Verberena







Carmen Santos




Gilda de Abreu





Me ajudaram na elaboração dos textos os seguintes sites:

Women Film Pioneers - Na elaboração dos textos sobre Cleo e Carmen
Agradecimentos especiais a:
Marcella Grecco de Araujo - autora do texto sobre Cleo
Ana Pessoa - autora do texto sobre Carmen

Mulheres no Cinema Brasileiro - Na elaboração do texto sobre Gilda de Abreu e algumas informações extras sobre Cleo e Carmen.
Agradecimentos especiais a:
Adilson Marcelino - autor do site

Enciclopédia Itaú Cultural - Informações extras sobre Gilda de Abreu

memoria.bn.br - Recortes de jornais e revista da época

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