CLEÓPATRA (1917) - O ÉPICO PERDIDO DO CINEMA MUDO

Há um tempo atrás, eu fiz um post sobre os mais famosos filmes perdidos de Theda Bara, "Cleópatra" estava lá, mas hoje, decidi fazer um post à parte sobre esse fascinante filme que é um dos filmes perdidos mais procurados pelo mundo todo. Produzido em 1917, não seria o primeiro filme a falar sobre Cleópatra. Em 1912, já havia sido produzido um filme homônimo, estrelado por Helen Gardner, um filme bem inferior, em minha opinião. É documentado também, um curta sobre Cleópatra, feito anteriormente.

Em 1917, Theda Bara já era uma das atrizes mais famosas e consagradas do cinema. Já havia atingido forte popularidade e junto com outras atrizes, popularizou o termo "Vamp", designado a mulheres com forte energia sexual. A Fox então, decidiu produzir um filme sobre Cleópatra, protagonizado por sua maior estrela. A ideia era realizar um filme luxuoso e inovador.

O filme foi baseado no romance "Cleópatra" de H. Rider Haggard, escrito em 1889, na peça "Cleópatra" escrita em 1890, por Émile Moreau e Victorien Sardou, e na peça "Antônio e Cleópatra", de William Shakespeare. Além de Theda Bara, o filme contava com Fritz Leiber Sr., conhecido como um dos atores de teatro especializados em Shakespeare, no papel de Júlio César e  Thurston Hall como Marco Antônio.

O filme contou com uma grande variedade de figurinos e cenários extravagantes. De acordo com revistas da época, Theda Bara usou durante o filme, cerca de 50 trajes diferentes. O total de despesas da produção do filme chegou a 500 mil dólares, com cerca de 2 mil pessoas trabalhando nos bastidores.

"Cleópatra" foi recebido com bastante entusiasmo pela crítica e pelo público, mas enfrentou uma forte censura. Diversas cenas foram cortadas do filme, principalmente as cenas em que Theda Bara aparecia com roupas transparentes e sugestivas. Com a chegada do código de produção em Hollywood, durante o cinema sonoro, "Cleópatra" entrou na lista dos filmes banidos do cinema. Ele não poderia ser reexibido de forma alguma.

A partir de então, o filme ficou guardado nos cofres da Fox, sem nenhuma possibilidade de exibição ou criação de cópias. Ainda na década de 30, haviam apenas duas cópias do filme: uma no acervo da Fox e outra no acervo do Museu de Arte Moderna de Nova York. As duas cópias foram destruídas em incêndios e então o filme passou a ser considerado perdido.

Durante anos, pessoas em diversas partes do mundo, se mobilizaram para encontrar alguma cópia deste filme, porém o esforço foi em vão. Foi encontrado apenas um fragmento com menos de 20 segundos. O cineasta e historiador de cinema Phillip Dye, passou anos trabalhando em uma reconstrução do filme, baseada em fotos estáticas e no fragmento sobrevivente. Em 2017, ano do centenário do lançamento do filme, foi lançado "Lost Cleopatra", resultado final do seu trabalho. O projeto não foi exibido para o grande público.




















Recortes da época.
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